sexta-feira, julho 15, 2011

Capítulo 4

É claro que Duke tinha passado o resto da noite a ligar. Eu não sabia isto por ter estado acordada. Sabia disto porque quando acordei e me levantei do sofá o meu telemóvel não lá estava, o que apenas queria dizer uma coisa. O vampirão tinha ficado com ele. O que queria dizer que provavelmente tinha falado com Duke. O que provavelmente queria dizer que eu estava metida em sarilhos se o vampirão lhe contasse o que eu era antes de eu mesma o fazer. Todas as minhas dúvidas foram dissipadas quando o vampirão entrou na sala com o meu telemóvel na mão e mo entregou.
- Há alguém que quer mesmo falar contigo – Disse.
- E tu não falaste com esse alguém?
Apontou para o telemóvel e disse:
- Assuntos teus. Não meus.
Olhei para o visor. Chiça, 19 chamadas perdidas. E todas da mesma pessoa. Nisto, o telemóvel volta a tocar. Atendi ao segundo toque.
- Duke, desisto. Eu vou ter contigo.
- Maravilhoso. Onde queres?
- Onde tu quiseres. Mas pára de me ligar, por favor!
- Anda cá a casa. Tens de me contar essa história da Kelly ter morrido. Parece algo muito mal contado.
- Okay, prometo eu conto.
- Amo-te.
- Eu também. – “Acho eu” completei mentalmente..
Quando me voltei para encarar o vampirão, ele já não lá estava. Credo, como eu detestava que me fizessem isto. Subi ao quarto e vesti-me, demorando apenas cinco minutos a decidir a roupa que ia levar. Agarrei nas chaves do meu carro e fui até casa dele. Olhei para o espelho. Não parecia morta. Isso era bom. Era muito bom.
Ele veio á porta mal ouviu o som do meu carro estacionar. Aquele miúdo sempre tinha tido uma audição fantástica. Correu para mim, abraçou-me e deu-me um beijo.
Aquilo ia ser mais difícil do que eu estava á espera. Como é que se conta ao nosso namorado, bem, noivo, quer dizer, ajoelhar-se com um anel de plástico não conta como noivado. Mas para ele contava.
Ele retirou do bolso uma caixa azul e deu-ma para as mãos. Era um anel VERDADEIRO. Não podia ser. Não agora.
- Duke, tem calma, eu tenho de te contar uma coisa.
- Se é sobre a morte da Kelly, contas depois. Agora, tenho algo a fazer.
E ele ajoelhou-se. Eu quase comecei a chorar, mas lembrei-me que não podia. Porque ele depois ia fugir a correr. E eu tinha de dizer que não podia casar com ele. Porque senão ele também ia morrer, tal como Kelly, porque isto não ia acabar assim, segundo aquele papel esquisito.

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